Se você tem se perguntado por que os carros usados e seminovos estão tão caros, saiba que isso reflete a realidade. Esse é o mercado automotivo brasileiro.

A valorização desses veículos, que antes perdiam valor rapidamente, é um reflexo complexo. Isso resulta de uma combinação de fatores econômicos e de produção. Esses fatores se intensificaram nos últimos anos.

A Crise dos Carros 0km e a Efeito Dominó no Mercado

O principal motor por trás do aumento de preços dos carros usados é a crise global na produção de veículos novos. Esta crise começou com a pandemia de COVID-19.

As fábricas de automóveis enfrentaram muitos problemas. Elas ainda enfrentam dificuldades como a falta de insumos. Outro problema é o encarecimento de matérias-primas.

Falta de Componentes Essenciais

A escassez global de semicondutores (chips eletrônicos) foi um dos maiores gargalos. Esses componentes são vitais para a eletrônica embarcada de qualquer carro moderno. A produção insuficiente fez com que muitas montadoras tivessem que paralisar ou reduzir drasticamente a fabricação de veículos.

Aumento de Custos de Produção

O preço de matérias-primas como aço, plástico e borracha disparou. A alta do dólar em relação ao real também encareceu a importação de peças e componentes, impactando diretamente o custo final dos carros novos.

As concessionárias têm menos carros zero-quilômetro disponíveis. Além disso, os preços estão mais altos. Por essa razão, a demanda se deslocou massivamente para o mercado de usados e seminovos. A lei da oferta e da procura entrou em ação: com a alta procura e uma oferta mais limitada, os preços desses veículos dispararam.

Para dar uma ideia do tamanho desse movimento, dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) indicam que, em 2024, as vendas de veículos usados no Brasil atingiram um recorde histórico. Espera-se que 15,3 milhões de unidades sejam comercializadas até o fim do ano.

Esse número representa um aumento de 7,2% em relação ao mesmo período de 2023. Enquanto isso, o mercado de carros novos teve um crescimento de cerca de 5% no mesmo período. A proporção é clara: para cada carro novo vendido, cerca de 8 carros usados são transacionados.

A Influência do Mercado de Carros 0km na Tabela Fipe

A Tabela Fipe, que serve como referência de preço para o mercado, é diretamente influenciada pelos valores dos carros novos.

Quando os carros 0km chegam mais caros ao mercado, essa alta é repassada para os modelos usados, que passam a se valorizar em vez de desvalorizar, como era a tendência histórica.

Um estudo da consultoria automotiva Jato Dynamics revelou uma tendência preocupante no Brasil. O preço médio dos carros mais do que dobrou em um período de tempo relativamente curto. Este aumento supera em muito a inflação oficial medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Outros Fatores que Contribuem para a Alta

Além dos pontos principais, outros elementos também ajudam a manter os preços dos carros usados e seminovos elevados:

Idade Média da Frota

O envelhecimento da frota brasileira é um fator importante. A idade média dos veículos no país é de 9 anos e 6 meses, de acordo com o Sindipeças. Carros mais antigos, mas ainda em boas condições, se tornam mais procurados e, consequentemente, mais valorizados.

Inflação

A inflação geral na economia também contribui para a alta de preços. Mesmo quando a inflação é mais controlada, a valorização dos carros usados tem se mantido em patamares acima da média. Um estudo da Auto Avaliar indicou que o valor médio dos carros usados vendidos atingiu R$ 87.107 em abril de 2025.

Isso representa um aumento de 7,92% no acumulado do ano, três vezes maior que a inflação medida pelo IPCA no mesmo intervalo, que foi de 2,48%.

Novas tecnologias e regulamentações

As montadoras estão investindo em novas tecnologias, especialmente em segurança e sustentabilidade (como a eletrificação de veículos), para atender às novas regulamentações. Esses custos são repassados ao consumidor.

Margens de lucro

Especialistas apontam que, no Brasil, as margens de lucro das montadoras tendem a ser maiores do que em outros mercados, como o europeu e o americano. Uma vez que os preços foram elevados, as empresas relutam em reduzi-los para não perder essa rentabilidade.

Em resumo, a escassez de carros novos, o aumento dos custos de produção e a alta do dólar criaram um ciclo. Isso levou à migração da demanda para o mercado de usados. Este ciclo elevou os preços de maneira atípica.

Para quem busca comprar um carro, o cenário exige pesquisa e planejamento. A antiga lógica de desvalorização imediata não se aplica mais da mesma forma.

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